De jaleco e salto alto!

20 nov

A introdução da mulher no mercado de trabalho, principalmente na década de 1970, representou uma forte mudança no papel da figura feminina na sociedade. Ela deixa de ser somente dona de casa e passa a assumir grandes responsabilidades. Sim, podemos dizer que as mulheres estão dominando o mercado de trabalho!

Mais especificamente em relação aos profissionais de saúde, o número de mulheres no mercado são bastante significativos. Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgado no ano passado mostrou que quase 40% dos profissionais de medicina são mulheres um aumento de quase 5% em dez anos. Uma outra pesquisa que analisou a distribuição por sexo e idade revelou que entre médicos com até 35 anos, 50% são mulheres.

 

As mulheres foram proibidas de frequentar as faculdades de medicina até 1879, mas hoje em dia já representamos mais de 40% dos aprovados nas maiores faculdades de medicina de SP como USP, UNIFESP e Santa Casa.

Um depoimento da socióloga Maria Helena Machado, diretora do Departamento de Gestão do Trabalho e Regulação em Saúde do Ministério da Saúde, retirado do Jornal da Associação Medica (confira reportagem aqui) explica o porque da ascensão da mulher neste ramo: “São áreas que envolvem a questão do cuidar e aconselhar, muito semelhante às encontradas em uma estrutura familiar” coisa que, cá entre nós, por uma questão de instinto ou cultural, ainda sabemos fazer muito bem – mesmo com todas as inúmeras funções que delegamos inclusive importantes cargos no trabalho.

Veja na tabela abaixo, dados que ilustram o processo de feminilização no setor de saúde – que se alterou de maneira significativa em apenas dez anos:

Embora as mulheres estejam completamente inseridas no mercado de trabalho deste setor, elas ainda têm salários bem inferiores ao dos homens. Talvez por uma questão cultural – que não tem porque ser mantida – ou mesmo por optarem por jornadas menores de trabalho. Mas, com o aumento das mulheres nas faculdades de medicina, esta é uma situação que deve se equilibrar. Pelo menos é o que esperamos!

Na mídia, no entanto, não vejo um sexismo gritante em relação à área de saúde. Mas ainda observo uma certa preferência em optar pelo sexo do profissional dependendo de sua especialidade. Cirurgiões em sua grande maioria são ilustrados em matérias por homens, enquanto profissionais da área de estética, nutrição e psicologia são mulheres. Mas esta é apenas uma observação não baseada em dados concretos. Acredito que com o tempo essa “divisão” de sexo por especialidade vá diminuindo. Por mais que exista áreas dentro do setor de saúde em que mulheres tenham maior aptidão assim como àquelas em que homens se dão melhor, não deve existir um preconceito em relação à isso. Até porque já está mais que provado que podemos fazer tudo que eles fazem… e de salto alto!

“Confusão” no Hospital Municipal de São Paulo

8 nov

Hoje ouvi no rádio uma notícia que me fez pensar muito sobre a saúde pública no Brasil. Um bebê morreu após uma auxiliar de enfermagem injetar leite em sua veia. Parece um absurdo, e é isso mesmo. O leite materno era dado ao Cauê todos os dias através de uma Sonda colocada no nariz. Só que desta vez ela errou, e injetou na veia, por onde o bebê recebia soro.

Como assim errou? Ela não pode em hipótese alguma erra uma coisa dessas. Sim, somos seres humanos, mas ela está ali com a obrigação de cuidar dos pacientes. E cuidar significa dar toda atenção e suporte aos que estão ali precisando.

É difícil julgar sem saber o lado dela, há quanto tempo ela estava trabalhando, já que uma carga horária estendida pode gerar cansaço excessivo e atingir diretamente a atenção. Mas, não.. Impossível não ficar indignada com um erro absurdo como este (não é que ela trocou um medicamento porque os frascos eram idênticos, o que já seria um absurdo, ela trocou a sonda pela veia).

Fora a atitude dos médicos que chamaram a família com urgência no hospital e os deixaram pelo menos 5 horas sem saber direito o que tinha acontecido, sem o menor cuidado com o psicológico destes pais.

Difícil será para os pais desta criança, que terão que conviver com isso para o resto da vida. Uma “confusão” dos profissionais do hospital tirou a vida de alguém tão esperado por eles. Alguém que em tão pouco tempo de vida já tinha um lugar enorme em seus corações. Eu jamais suportaria, não poderia aceitar uma vida perdida por algo tão banal.

Infelizmente este foi o terceiro caso grave por erro de enfermagem em menos de um ano. Em dezembro de 2010, uma menina de 12 anos morreu depois de receber vaselina líquida na veia no lugar de soro e em janeiro, uma enfermeira que tentava tirar o curativo da mão de uma menina cortou parte do dedo da criança.

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Uma tarde na UTI

24 out

Na sala de espera já era possível perceber o nervosismo alheio. Celulares, jornais e revistas ajudavam a disfarçar a ansiedade daquelas pessoas. Era a minha vez. Dificil explicar tal sentimento. Desabei. Parecia que eu rapidamente absorvera todo o sofrimento presente naquela sala. Mas em uma mistura de tristeza e gestos esperançosos, este último prevaleceu. Enquanto uma menina esmaltava as unhas de sua mãe, que pouco entendia o que estava acontecendo, um sorriso parecia mudar o tom da história.

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Pela medicina e pela Fé

15 out

          A Cura pela Fé ou Cura Espiritual é uma forma de tratar doenças, sejam elas de qualquer nível de gravidade, por meios espirituais. A Cura se dá pela crença em uma determinada religião (cristã, xamânica, espírita, entre outras) ou ainda por auto-sugestão.

A Doutrina Espírita ganha cada vez mais destaque na mídia e recentemente foi assunto de capa da revista Veja (edição 2,235) devido à escolha de Reinaldo Gianecchini de aliar este recurso ao seu tratamento médico do câncer com o qual foi diagnosticado.  Durante sua internação no Hospital Sírio-Libanes, em São Paulo, o ator recebeu a visita de um médium, que sob efeito mediúnico do espírito Dr. Alonso, fez a “Oração para Jesus”, a reza pela cura.

Segundo a revista Veja, o número de pessoas que buscam ajuda espiritual para o tratamento de doenças no Brasil é bastante significativo, chegando a 80% dos pacientes com câncer. No entanto, algumas vezes o uso da medicina convencional é recusado durante o tratamento espiritual, o que me parece uma atitude bastante radical.

                   

              A “Cura pela Fé” é, para aqueles que acreditam, indiscutivelmente eficaz. Muitos recorrem à ela em casos de doenças sem cura. Mas “dispensar” o uso da medicina, tecnologia e da ciência é quase que andar para trás. Com certeza a religiosidade ajuda muito em momentos difíceis como uma doença grave e então, aliar a fé à medicina é com certeza algo muito positivo.

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Legalização do Aborto: uma questão de saúde pública

8 out

           No dia 28 de setembro de 2011, a Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, foi às ruas por uma questão de saúde pública e de garantia de Direitos Humanos das mulheres. O movimento reivindica o direito ao aborto legal e seguro e também faz um abaixo assinado de repúdio aos projetos de lei que criminalizam mulheres que fazem aborto

            O aborto, que é definido como perda ou interrupção da gravidez, pode no último caso, ser considerado um crime previsto em lei. No Brasil está legalizado apenas quando não houver outro meio de salvar a vida da gestante ou se a mãe, vítima de estupro, desejar interromper a gravidez. Caso contrário, gestante e médico poderão ser punidos criminalmente.

            Por esse motivo além de todas as discussões éticas, culturais e religiosas, acrescenta-se essa, a legal.

            Atualmente são feitos mais de um milhão de abortos ilegais no Brasil, sendo a terceira causa de morte materna no país. Podemos então concluir, que além de ilegal é uma prática insegura, com sérios danos à saúde.

             A lei brasileira, nesse caso, é baseada em valores culturais, morais e principalmente religiosos. A igreja cristã é totalmente contra o aborto por considerar a vida desde o embrião. O desenvolvimento da ciência não foi absorvido pela teologia. Ciência, religião e sociedade ainda discutem.

           Mas como fica, nessa discussão, a mulher individual, que sofre a pressão e consequências de uma gravidez indesejada? Caso decida, mesmo sofrendo (porque nunca é fácil tomar essa decisão), precisa recorrer a clínicas ilegais, correr sérios riscos e também ser considerada criminosa.

            Faz pouco tempo que a mulher é considerada um indivíduo com direitos e deveres na sociedade ocidental. Entre os ganhos está a possibilidade de escolha: a mulher pode escolher uma profissão, um político, um estado civil, onde morar, ter uma família ou não. Se pensarmos assim e ainda adicionarmos o dado real de mortes por aborto no Brasil, podemos acrescentar a estas escolhas, a possibilidade de escolher levar ou não uma gravidez adiante. Mesmo ilegalmente essa escolha já é feita, com muitos prejuízos para a própria mulher. A legalização talvez ajude a tornar essa escolha difícil, pelo menos mais digna.

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Crise na saúde

1 out

O mínimo que um governo de um país tem que garantir para uma população é educação, moradia e saúde. Nos países com problemas financeiros estas prioridades acabam comprometidas. Obras de saneamento básico, manutenção de hospitais e postos de saúde, por exemplo, deixam de ser feitas.

A falta de financiamento também se torna algo comum: com a crise financeira, os governos ricos podem interromper os fluxos de ajuda aos países em desenvolvimento.

Um recorte da crise econômica da Grécia atual pode ajudar a ilustrar esta situação.

Pesquisas mostram que a crise econômica na Grécia causou grande impacto na saúde pública, principalmente no bem estar mental e no acesso à assistência médica. O orçamento do governo destinado à saúde sofreu um corte de 40% diminuindo o acesso da população a uma boa assistência médica.

Problemas econômicos, desemprego e restrições podem causar estresse. Observou-se na Grécia que desde o início da crise econômica que o número de suicídios e depressão aumentou significamente. Além disso, a população reconheceu que diminuiu o número de visitas aos médicos e dentistas, mesmo sentindo-se doentes.

As condições nutricionais da maioria das famílias também foram prejudicadas uma vez que a renda familiar tornou-se insuficiente tornando seus membros mais suscetíveis a diversos tipos de doenças.

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Era um garoto…

23 set

O caso do menino D.V.N, aluno do 4º ano da escola municipal Professora Alcina Dantas Feijão, que atirou contra a professora e em seguida cometeu suicídio chocou a todos nós. Principalmente, por ser uma criança de 10 anos.

Ficamos então tentando entender que motivos um garoto desta idade teria para querer acabar com a própria vida. Bullyng? Raiva da professora? Tristeza? Os depoimentos de amigos apontam que D.V.N era um menino normal, aparentemente sem nenhum problema.

Mas, até que ponto é possível perceber quanto as dificuldades enfrentadas pelas crianças estão lhes perturbando e como aceitar que elas podem chegar em tal grau de seriedade? A entrevista a seguir, feita com a psicóloga Paula Nogueira, nos ajuda a compreender um pouco deste triste universo.

 1) O que pode levar uma criança de 10 anos a cometer suicídio?

 R: O suicídio é um comportamento raro na infância, mas acontece. Muitos dos casos são tentativas mascaradas de suicídio, mas alguns se realizam.

As principais causas de suicídio infantil são: depressão, privação emocional, falta de afeto, abuso físico, auto-estima prejudicada e dificuldade de adaptação ao mundo.

2)Você acredita que uma pessoa de 10 anos que comete suicídio, entende o que está fazendo? É um ato consciente?

 R: Estudos comprovam que a criança pode atentar intencionalmente contra a própria vida. Podem planejar e realizar suicídio. É uma idéia difícil de ser entendida, mas já aceita por muitos profissionais.

3) Se for comprovada a existência de Bullyng, este seria um forte motivo para o suicídio?

 

R: O Bullyng é um grande causador de estresse emocional. Pode sim, ser uma das causas de suicídio na infância e adolescência. A criança fica com a auto-estima prejudicada e sente-se fracassada na adaptação ao mundo e aos amigos.

4)Você acredita que o menino já tinha a intenção de se matar?

R: Pelo que acompanhei na imprensa, não parece ter sido um ato intencional, mas sim de um menino que se colocou numa situação de risco talvez para se impor perante o grupo. Uma hipótese é que D.V.M tenha levado a arma para a escola como forma de mostrar poder para o grupo. O suicídio pode ter sido um ato de desespero em uma situação sem saída.

 

5) É provável que o garoto estivesse sofrendo algum distúrbio que passou despercebido?

R: Esse caso pode servir de alerta para pais, professores e profissionais de saúde. É importante observar se a criança está com problemas de relacionamento, dificuldade na escola, choro fácil, problemas de sono e alimentação, muita irritação, recolhimento excessivo, sem ânimo e motivação. Mudanças de comportamento devem ser observadas de perto e tratadas com muita atenção, conversa e afeto. Se persistirem, é necessário procurar ajuda especializada de médicos e psicólogos.

Para mais informações sobre o caso, assista a matéria exibida pelo Jornal da Globo.

Confira aqui a entrevista com os pais de D.V.N, feita pelo Fantástico neste último domingo.

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